sexta-feira, maio 11, 2007

Na ausência deste vasto mundo


Carolina acordou com um cansaço dos diabos! Um peso nos ombros, uma fadiga gigantesca no olhar, os lábios que preferiam ficar colados um ao outro, a saliva grossa na boca, os braços que não se erguiam e as pernas que continuavam imóveis a qualquer ruído dentro do quarto escuro. E não queria ver gente, animal, luz do sol, nuvem, céu, fumaça, carro; não desejava ver nada, nem ninguém. Não queria ouvir som, barulho, pancada, telefone tocando, ouvir música, ela não queria ouvir nada.
O mundo enoja, enjoa e transmite um cansaço intenso na vida de qualquer um. E seja o jornal com suas notícias violentas e balanços econômicos nacionais e internacionais, seja os desenhos infantis, seja os programas femininos, seja o rádio com as mesmas velhas canções bonitas e as novas músicas das paradas de sucesso, seja aquele bom dia, de quem não quer lhe desejar uma boa caminhada durante aquele dia, tudo cansa infinitamente.
Enquanto deitada, Carolina tinha a plena certeza de que aquela sensação de paz interior, da companhia de si mesma, acabaria em dois segundos. Apenas o tempo de soerguer-se da cama e ouvir o apito irritante do despertador encher o quarto daquela correria insana do mundo. E a vontade que se tinha é de um dia acordar e não achar mais nada no mundo. Ver que tudo acabou e tudo chegou a seu ponto finito. Então, nessa ausência de tudo e de todos - quem sabe? - ela poderia achar o sentido de todas as coisas que coexistiam no mundo e em sua presença.


Vivi