
É problema, é resolução, é tempo curto, é dinheiro, é conta pra pagar, é sentimento junto com razão, formando um turbilhão de coisa enlinhada e que não se desgruda nunca, é medo, é dúvida, é falta, é gana, é físico... É tudo. É tudo. E é só uma pessoa pra tomar conta disso tudo, e essa pessoa sou eu. Mas estou tentando levar a vida com pelo menos um sorriso no rosto, pra que a vida não me engula e eu não termine como uma pessoa seca, amarga, dura por dentro, para que as pessoas não me olhem com medo. Estou tentando conciliar problema com solução, sentimento com razão. Estou tentando sobreviver de todo jeito e de todas as formas e se mesmo assim não for possível eu conseguir, eu largo tudo de mão, vou embora pra algum lugar onde eu não conheça ninguém e ninguém mesmo, ninguém nessa face da terra que eu conheci saiba onde eu estou. Para que, pelo menos, eu tenha a sorte de ser feliz sozinho.
Pelo menos você tem o luxo de escolher como vai morrer.
Se é que eu vou morrer.
Você vai! Isso é tão certo quanto o apagar dessa vela, dentro de poucos instantes.
Isso é o que você imagina. As velas não morrem. Descansam apenas a chama que, um dia, podem aparecer, reacender em brasa viva e cheia de vida.
Que vida se pode ter nesse calafrio?
A vida de um futuro não deposto.
Que futuro pode não estar deposto?
O futuro que você quiser criar.
Eu não sei... Acho que a vida só nos encara quando estamos de frente para os abismos em que ela nos coloca.
Escolha!
Quero três!
Três saindo do forno.
Absurdo isso!
O que é absurdo?
Você está fazendo a coisa direito?
Lógico que sim! Quantos anos você acha que eu tenho? Doze?
Não... Mas... Bom, deixa pra lá.
Segue!
Já? Tão rápido?
Acho que você não está entendendo direito as coisas.
Estou sim, você é que não está enxergando.
Enxergando? E como hei de enxergar algo que não existe?
Não vês além da tua visão?
Ainda não cheguei a esse ápice de heroísmo nas cartas.
Pois saiba que eu cheguei.
É... Esqueci que não tem nada de doze anos por aqui.
Ah! Johnnie Walker.
Hein?
Nada. Estou lembrando da casa da Juju.
Juju?
É. Casa da dona Juju. Aquela morena de pequenos seios aveludados.
Você freqüentava aquilo?
LÓGICO! Casa de alto padrão. Aliás, alto estilo e padrão.
Aquilo não tinha nem estilo, nem muito menos padrão!
Claro que tinha! Era mais suntuoso que o quarto da Teté.
Não fale assim da Teté!
Como não? Aquele perfume era intragável. O jeito que ela se embolava no lençol depois de uma noite de sexo era como de uma hiena se cobrindo com a carniça.
Homem... Francamente! A Teté era um doce!
Não deixava de ser hiena!
E a Juju? Começamos pelo nome: J-U-J-U! Isso lá é nome de prostituta?
Juju era simples, humilde, discreta, carinhosa, meiga...
Isso não muda nada.
Como não muda? Juju não era uma vagabunda qualquer. Ela tinha coração.
Mais uma carta!
Toda sua!
A Teté fazia o que tinha que fazer. Só isso. Era paga para aquilo e fazia muito bem feito.
Juju tinha calor entre as coxas.
Teté tinha calor por todo o corpo. Aliás, a chama que nunca se apagava era o corpo de Teté.
Calor e Teté: duas coisas que não combinam.
Juju e cabaré: dois nomes e mundos incongruentes.
Imundo!
O que?
Imundo, este jogo está imundo hoje!
Só porque eu estou falando que Juju e cabaré...
Não, sua besta! O jogo está imundo porque não estamos embaralhando direito.
Tudo está mexido.
Hum! Lembrei dos ovos mexidos da Ametista. Logo que nos mudamos para cá, eu e a Márcia contratamos a Ametista. Aqueles ovos estão até hoje recendendo no meu paladar.
Uma coisa que tenho que concordar: a Ametista cozinhava muito bem!
Não só cozinhava muito bem, mas arrumava, passava, limpava... Tudo muito bem!
Era?
Era. Ué?
Nada.
Como nada? Que cara foi essa?
A expressão de nada!
Você bate e diz: nada?
Velho chato, você, viu?
Chato? Chato, eu?
Sim! Você!
A noite foi postergada por mais umas horas, mais uns meses e o que se falava, foi calado. Usurpado o som, já não se tem a menor noção a que horas as batidas ecoam no mundo. Em um mundo onde os dois já não se vêem. Não mais se encontram apenas a história de Juju, Teté, Ametista e seus ovos mexidos permanecem imóveis e intactas em algum canto, onde nunca ninguém encontrou a verdade. E talvez, esta mereça ser deixada de lado, posta como a chama que se funde com a parafina, que escorre, transborda e suja o mármore do que restou de duas histórias.
Pelo menos você tem o luxo de escolher como vai morrer.
Se é que eu vou morrer.
Você vai! Isso é tão certo quanto o apagar dessa vela, dentro de poucos instantes.
Isso é o que você imagina. As velas não morrem. Descansam apenas a chama que, um dia, podem aparecer, reacender em brasa viva e cheia de vida.
Que vida se pode ter nesse calafrio?
A vida de um futuro não deposto.
Que futuro pode não estar deposto?
O futuro que você quiser criar.
Eu não sei... Acho que a vida só nos encara quando estamos de frente para os abismos em que ela nos coloca.
Escolha!
Quero três!
Três saindo do forno.
Absurdo isso!
O que é absurdo?
Você está fazendo a coisa direito?
Lógico que sim! Quantos anos você acha que eu tenho? Doze?
Não... Mas... Bom, deixa pra lá.
Segue!
Já? Tão rápido?
Acho que você não está entendendo direito as coisas.
Estou sim, você é que não está enxergando.
Enxergando? E como hei de enxergar algo que não existe?
Não vês além da tua visão?
Ainda não cheguei a esse ápice de heroísmo nas cartas.
Pois saiba que eu cheguei.
É... Esqueci que não tem nada de doze anos por aqui.
Ah! Johnnie Walker.
Hein?
Nada. Estou lembrando da casa da Juju.
Juju?
É. Casa da dona Juju. Aquela morena de pequenos seios aveludados.
Você freqüentava aquilo?
LÓGICO! Casa de alto padrão. Aliás, alto estilo e padrão.
Aquilo não tinha nem estilo, nem muito menos padrão!
Claro que tinha! Era mais suntuoso que o quarto da Teté.
Não fale assim da Teté!
Como não? Aquele perfume era intragável. O jeito que ela se embolava no lençol depois de uma noite de sexo era como de uma hiena se cobrindo com a carniça.
Homem... Francamente! A Teté era um doce!
Não deixava de ser hiena!
E a Juju? Começamos pelo nome: J-U-J-U! Isso lá é nome de prostituta?
Juju era simples, humilde, discreta, carinhosa, meiga...
Isso não muda nada.
Como não muda? Juju não era uma vagabunda qualquer. Ela tinha coração.
Mais uma carta!
Toda sua!
A Teté fazia o que tinha que fazer. Só isso. Era paga para aquilo e fazia muito bem feito.
Juju tinha calor entre as coxas.
Teté tinha calor por todo o corpo. Aliás, a chama que nunca se apagava era o corpo de Teté.
Calor e Teté: duas coisas que não combinam.
Juju e cabaré: dois nomes e mundos incongruentes.
Imundo!
O que?
Imundo, este jogo está imundo hoje!
Só porque eu estou falando que Juju e cabaré...
Não, sua besta! O jogo está imundo porque não estamos embaralhando direito.
Tudo está mexido.
Hum! Lembrei dos ovos mexidos da Ametista. Logo que nos mudamos para cá, eu e a Márcia contratamos a Ametista. Aqueles ovos estão até hoje recendendo no meu paladar.
Uma coisa que tenho que concordar: a Ametista cozinhava muito bem!
Não só cozinhava muito bem, mas arrumava, passava, limpava... Tudo muito bem!
Era?
Era. Ué?
Nada.
Como nada? Que cara foi essa?
A expressão de nada!
Você bate e diz: nada?
Velho chato, você, viu?
Chato? Chato, eu?
Sim! Você!
A noite foi postergada por mais umas horas, mais uns meses e o que se falava, foi calado. Usurpado o som, já não se tem a menor noção a que horas as batidas ecoam no mundo. Em um mundo onde os dois já não se vêem. Não mais se encontram apenas a história de Juju, Teté, Ametista e seus ovos mexidos permanecem imóveis e intactas em algum canto, onde nunca ninguém encontrou a verdade. E talvez, esta mereça ser deixada de lado, posta como a chama que se funde com a parafina, que escorre, transborda e suja o mármore do que restou de duas histórias.
Vivi
Nenhum comentário:
Postar um comentário