Era uma rua extensa, larga, mas com poucas árvores, onde os meninos, quando brincavam de esconde-esconde, penduravam-se como macacos nos galhos e ficavam imóveis, até o primeiro, que não conseguira seu lugar no galho, saía em disparada para bater e se livrar da pena de procurar os companheiros na próxima vez. Esta via tinha em sua constituição um tanto de paralelepípedo, um pouco de barro vermelho, um bocado de histórias de amores, um tamanho imenso de bocas beijadas, brigas em lama, pivetes a correr ensandecidos de uma surra ou, porque percebiam que a vida tinha um gosto tanto de doce, quanto de puro, tanto de linda, quanto de única. E nos intensos verões de janeiro, quando todas as crianças se encontravam de férias, a alegria se estendia por aqueles lados, explodindo na fúria de um pôr-do-sol laranja, onde irradiava a paixão de uma Lua cheia, despontando entre nuvens escuras, a procura do último raio solar.
E entre a paixão da Lua e do Sol, os pivetes se encadenavam em rodas e boquiabertos com as histórias de defuntos e fantasmas, arregalavam os olhos e cutucavam o colega para dizer que ele não tinha medo, mas aquele sim. E isso causava um furor diferente em cada um, mas que juntando era uma parte de valentia a medo de que o xixi descesse pelas pernas finas.
E quando a rua serenava na madrugada inquietante pelo brilho das estrelas que choravam por não quererem sumir ao clarear, os meninos, obrigados pelos seus pais ou avós, tomavam um banho gelado, vestiam os pijamas ou as camisolas, deitavam as cabeças nos travesseiros e sonhavam com o surrealismo e a imaginação que circundava o universo deles.
Vivi
sábado, junho 24, 2006
sexta-feira, junho 16, 2006
Conto de Carnaval
Sentia o coração pulsar mais forte, uma ânsia subia no seu peito, uma vontade de chegar logo. Assim que desceu do carro, já se sentia feliz, sem mesmo saber o que esperava por ela. Seu olhar admirava o horizonte, via um colorido alegre, sentia o chão vibrar abaixo de seus pés. O som que ouvia era o da alegria. A cada batida das alfaias, a cada sopro dado nos instrumentos, a cada nota, sentia um arrepio, as baladas dos maracatus, das orquestras de frevo, faziam com que se sentisse completa. Gostava da inquietude e da falta de silêncio, as pessoas animadas cantando os hinos, fazendo grandes orquestras de frevo em coro, cada um fazendo um ruído no ritmo das músicas, sem ensaio, na pura anarquia, fazendo até mesmo esquecer que não era necessário um instrumento para se fazer um bom carnaval.
Era enfim carnaval, e o mundo das fantasias estavam começando. Resolveu esquecer dentro de si quem era, e começar a incorporar outros personagens. Olinda poderia ser uma em várias, poderia ser quem ela quisesse sem sair do seu corpo. Todos os sentimentos reprimidos durante o ano eram extravasados através de seus personagens. Para ela aquilo tudo era um grande sonho, como um circo, cheio de alegria, cores e magia.
Para Olinda, o carnaval era vida, era suor, era ser humano, era esquecer todo e qualquer problema para ser feliz. Felicidade era a palavra que definia seu carnaval. Queria viver cada segundo intensamente. Para ela não existia pudor, religião, convicção, nada, só a liberdade de ser e fazer o que queria. Não se sentia incomodada com nada, nem com os sprays de espuma, nem com os jatos de água saídos de pistolas de água, achava tudo lindo e maravilhoso. Subia e descia ladeiras como se andasse em uma linha reta e plana.
Depois de curtir intensamente os cinco dias de carnaval, Olinda estava se sentindo inteira, tinha certeza que arranjaria forças para conseguir agüentar o resto do ano, mas também tinha absoluta certeza que um grande vazio ficaria dentro dela. Sabia iria sentir falta de muitas das suas personagens, pois viveram tão intimamente nos últimos dias, que seria difícil se despedir dela. Mas a certeza de um próximo carnaval enchia seu corpo de esperança e a cabeça de idéias.
Cê
Era enfim carnaval, e o mundo das fantasias estavam começando. Resolveu esquecer dentro de si quem era, e começar a incorporar outros personagens. Olinda poderia ser uma em várias, poderia ser quem ela quisesse sem sair do seu corpo. Todos os sentimentos reprimidos durante o ano eram extravasados através de seus personagens. Para ela aquilo tudo era um grande sonho, como um circo, cheio de alegria, cores e magia.
Para Olinda, o carnaval era vida, era suor, era ser humano, era esquecer todo e qualquer problema para ser feliz. Felicidade era a palavra que definia seu carnaval. Queria viver cada segundo intensamente. Para ela não existia pudor, religião, convicção, nada, só a liberdade de ser e fazer o que queria. Não se sentia incomodada com nada, nem com os sprays de espuma, nem com os jatos de água saídos de pistolas de água, achava tudo lindo e maravilhoso. Subia e descia ladeiras como se andasse em uma linha reta e plana.
Depois de curtir intensamente os cinco dias de carnaval, Olinda estava se sentindo inteira, tinha certeza que arranjaria forças para conseguir agüentar o resto do ano, mas também tinha absoluta certeza que um grande vazio ficaria dentro dela. Sabia iria sentir falta de muitas das suas personagens, pois viveram tão intimamente nos últimos dias, que seria difícil se despedir dela. Mas a certeza de um próximo carnaval enchia seu corpo de esperança e a cabeça de idéias.
Cê
quinta-feira, junho 01, 2006
Procura-se por Luíza
Procuro na esquina de cada olho esguio de mulher,
a figura de uma Luíza.
Mas, esta não pode ter Ana,
nem Clara, muito menos Maria.
Não pode ser uma, nem qualquer.
Deverá ser, apenas, Luíza.
Luíza pura.
Simplesmente, Luíza e mulher.
Vivi
*Texto em homenagem ao meu grande e inteligente Amigo, David!
a figura de uma Luíza.
Mas, esta não pode ter Ana,
nem Clara, muito menos Maria.
Não pode ser uma, nem qualquer.
Deverá ser, apenas, Luíza.
Luíza pura.
Simplesmente, Luíza e mulher.
Vivi
*Texto em homenagem ao meu grande e inteligente Amigo, David!
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