sábado, agosto 26, 2006

A luz que me entra pela porta

Em resposta ao adeus que não me deste,
Resta-me a fresta de uma luz pela porta entreaberta.
Abdicar é uma palavra forte e,
Mais poderosa ainda, é a palavra deixar.
Deixar de querer,
Deixar de amar,
Deixar de pensar,
Deixar de desejar,
Deixar de viver,
Deixar de respirar,
Deixar de sonhar.
Deixo, enfim, esta pouca iluminação adentrar em minha vida,
Talvez ela seja o afago para a dor apreendida.
Quem sabe, ela seja o meu bálsamo que,
Por hora, ainda deixa que eu suporte esta solidão,
E este desamparo com que o amor me trata
E me devora.

Vivi

segunda-feira, agosto 21, 2006

Ela

Ela o esperou.
Aguardou ser amada.
Esperou trancada por dias.
Acalmou sua impaciência.
Pôs de molho os lençóis dos amantes.
Fez do seu olhar o mais brilhante.
Abriu o maior sorriso que poderia ter.
Vestiu-se de carinhos e despiu-se de brigas.
Abriu as portas e ficou a esperar.
Veio a primavera.
Chegou o verão.
Aportou o outono e
Envolveu-lhe o inverno.
Até que seus membros ficaram quebradiços,
Sentou-se na cadeira e olhou para o mundo,
Sem mais esperanças de aguardar,
Pensando que, talvez, ele não se lembrara dela.

Vivi

segunda-feira, agosto 14, 2006

Todo quarto, todos quatro

As vezes o mundo me parte em quatro
Desses quartos se compõe meu todo
Que esse todo se dissimula em mil
E desses mil a vida se dissipa.
E quando algo toca as vicissitudes de meus vícios
Aqueles vícios mais ferrenhos
Tenho para mim,
que nada dos quartos
nada dos quatro
nada do todo
nada dos mil
Trará a certeza que ainda há vida nesta simulação.

Vivi