quarta-feira, janeiro 03, 2007

O senhor e a rosa

Havia um homem que morava muito longe de todas as cidades do universo e perto de sua casa encontrou uma linda rosa que mudava de cores com a temperatura e com a luz do sol. Muito cheio de amargura no peito, desilusões e decepções decidiu raptar a rosa e, ao chegar em casa, pô-la dentro de uma caixa de vidro e a rosa chorou. Espantado o senhor chegou mais perto da caixa e perguntou:
- Porque choras, linda rosa?
- A minha liberdade, senhor. A minha liberdade, a minha vida.
- Mas, trouxe-a aqui para dar vida à minha vida.
- Contudo não posso, senhor. Preciso dar alegria a todos no planeta.
- Rosa, ficarás aí dentro da caixa, até que eu volte a ser feliz novamente.
E a rosa se entristeceu, mas fez como o senhor pediu. Até que um dia muito choroso o senhor caiu de joelhos ao pé da caixa de vidro e sussurrou em meio às lágrimas para a rosa:
- Oh, rosa! Tenho medo. Oh, rosa! As coisas ao redor do meu mundo estão morrendo.
- Dê-me a liberdade, senhor!
- Mas, se fores, as únicas coisas que me restarão são: a solidão profunda nos dias primaveris, o gelo quebrantável das minhas lágrimas e toda uma vida triste. Morrerá em mim a idéia do belo. Nascerão de mim, os germes brutos e me reduzirei ao pó.
- Dê-me a liberdade, senhor, e prometo-lhe que trarei a luz ao seu mundo sombrio, levarei a beleza da minha cor aos sem brilho e tornarei sua vida um banho de perfume adorável.
Então, o senhor da rosa deu-lhe as costas e saiu. A rosa, dentro da caixinha de vidro chorou e começou a murchar, diuturnamente, para o desespero do homem. Até que não suportando mais a falta de ar, de felicidade, calor, luz e liberdade, a rosa suspirou, deixando cair de sua coroa a última pétala. Ao levantar pela manhã, o senhor da rosa caiu aos pés da caixinha de vidro, abrindo-a e retirando a rosa, e pôs-se a chorar convulsivamente. O vento varreu as pétalas murchas para cada ponto cardeal da casa, o homem chorou o dia inteiro e adormeceu chorando, até vislumbrar pela janela, na aurora seguinte, que ao redor de sua casa brotara um lindo roseiral das mais variadas cores, perfumes e tamanhos.
Ao ver aquilo, o homem tentou-se a aprisionar todas em uma enorme caixa de vidro, para ter como propriedade as mais lindas rosas do mundo, entretanto entrando novamente na casa encontrou o que restou da sua amada rosa e resolveu, para o bem de todas as outras rosas, deixá-las distribuir o encanto natural que o mundo merecia e dedicou-se a admirar o crescimento delas, enfeitando sua vida e redescobrindo a vida que existe na liberdade.

Vivi