quinta-feira, junho 21, 2007

João de Carolina


Apressado saiu da casa, pés alvoroçados, escarrado nos olhos um desespero do novo dia que começava. Dia só. Mais só que nunca. A cidade turbulenta corria contra uma monotonia que queria se impostar e as pessoas sonolentas deixavam-no ainda mais infeliz, naquela manhã enfastiosa.

Lembrava de Carolina. Lembrança distante, que nunca mais poderia se apossar. João chega ao trabalho, olhos vermelhos, depressiva tonalidade de uma feição pálida, que transborda de seu âmago e deposita no encosto de seus ombros o peso do "nunca mais". Impossível não se lembrar dos olhos serenos de Carolina ao dormir, a boca hermeticamente fechada e que nunca se abria durante o sono denso e mágico, soltando a respiração leve pelo nariz perfeito. O que sonharia? O sorriso largo e que lhe transportava ao universo mais puro e pagão, ao contraditório que lhe batia no peito, dizendo ser amor.

Carolina... Carolina... Chamava-a por pensamentos freqüentes, mas não seriam mais atendidos. Ela fechara-lhe a porta e o sereno e a noite fria lhe habitavam o ínterim daqueles tristes dias vazios e incompletos.

Passa-se o dia. João lembra dos olhos de Carolina. Nada mais lindo no mundo poderia existir. Olhos que mais pareciam o mar de alegria emergindo uma esperança de que a vida, dali por diante podria valer a pena. Dali para frente os dias não valeriam mais a pena.

E joão voltou para casa. Quão miúdo, quanto saíra de manhã cedo, tão insuportavelmente tristonho e depressivo, quanto amanhecera. Só lhe restava um copo de veneno amargo e a imagem turva em um espelho obscuro. As vezes, o que lhe impedia era a curiosidade do que viria no amanhã. Sem saber o que fazer, João espera a batida, a última batida do relógio, para ainda, se decidir entre o copo e a curiosidade.

Mas ele, João, ainda não sabe.

Ainda...


Vivi

terça-feira, junho 19, 2007

E agora?


E agora que a vida vai ter um ritmo mais lento. Vai se desdobrar na modorra dos tempos sem brilho e sem saias, sem rodopios, nem esmeraldas.
O diamante quebrou e já não se pode fazer mais nada para terminar de lapidá-lo. Os estilhaços estão agora nas minhas mãos. Que faço eu com eles?
O mundo não deixa muitas escolhas e aquelas que aparecem tem-se que agarrá-las fortemente e não mais deixar escapar, fugir, abandonar, ignorar.
Se me perguntarem hoje como estou, digo, sem titubear, com olhos de muita languidez e gélida amargura: Estou indo. Estou indo para não sei onde, porque perdi meu prumo, perdi meu rumo, perdi meu porto seguro.

Vivi

quinta-feira, junho 14, 2007

A Grego e Nana


Amor. Palavra forte que significa muito. Muito para uns e nada para outros. Cada um tem uma forma diferente de sentir e demonstrar o amor. Hoje estou aqui para celebrá-lo, celebrar os seres humanos que conseguem driblar todos os obstáculos da vida, que agüentam e faz muito para preservar o que sentem.

Eu sempre me considerei uma profunda sapiente nos assuntos de amor, como se fosse algo que a gente já nascesse sabendo. Não nascemos sabendo, da mesma forma que aprendemos a falar, a andar, aprendemos a decodificar os sentimentos.

Como podemos saber o que é o amor se jamais sentimos? Eu sempre soube o que era o amor, porque sempre fui envolta por ele. Minha mãe me amou desde o momento que soube que eu iria nascer. Meu pai me amou muito por amar à minha mãe e por saber que eu a faria muito feliz.
Então, senti amor desde pequena, senti o que é ser amada. Quando fui crescendo, fui me questionando sobre o amor. Meus pais realmente se amavam? Ou se aturavam para não morrer sozinhos? Se respeitavam por amor a mim? Mas de uma coisa eu nunca duvidei, do amor deles por mim, filha única e tão desejada.

Uma vez senti amor. Eu era jovem e me joguei por inteiro numa relação que eu não sabia se tinha começo, meio ou fim, mas para amar nós temos que nos doar por inteiro, não se ama apenas pela metade. Se eu amo um amigo, eu o amo por inteiro, com seus defeitos e qualidades. Aprendi isso com meus os pais, diversas vezes os decepcionei, e mesmo assim, tristes e decepcionados eles estavam ao meu lado, me apoiando e me fazendo ver as situações muito além do que podemos notar aos olhos nus.

Eu o amei por inteiro, sem pensar ou pestanejar, para mim pouco importava ser feliz por cem anos ou ser feliz por um segundo, queria entrar naquele mundo louco, cheios de dúvidas, de confusões, queria experimentar.

Como eu portadora dos conhecimentos do amor falaria dele sem jamais tê-lo sentido por outra pessoa? Uma coisa era amar, outra era ser amado. E de ser amado eu sabia muito, mas era deficiente na disciplina de amar. Descobri que para amar alguém a gente tem que desapegar um pouco da gente temos, que abrir mão de certas caprichos, egoísmo, e temos que nos livrar do eu, e aceitar o nós.

Pois é, nós hoje estamos celebrando mais um ano de casamento. Conseguimos juntos passar por muitos obstáculos. Todos os nossos três filhos abortados, os filhos que tanto desejamos ter, mas que nunca teremos. Superamos a morte de mamãe e papai, que tanto significaram pra mim. Ficamos juntos enquanto meu marido superava um câncer, quase fatal, mas acredito que meu amor por ele era tanto que o curou.

Quem tem muito amor pra dar, também tem muito amor para receber. Celebro uma vida de amor. Brindo por todos os tipos de amores. Aceito todas as maneiras de amar. Contento-me com o amor que meus pais me deram, com o carinho e o amor que meus amigos me dedicaram, e com amor que sinto e recebo.


Cê.

sábado, junho 09, 2007

Dia 12 de Junho


E lá vem mais um dia 12 de junho, de mais um ano qualquer. Algumas pessoas têm sinas. Umas terão a sina da enxaqueca, outras de terem chefes ruins, outras de terem um trabalho enfadonho, outros de terem facilidade para emagrecer, outros para o vício do álcool e outros para viverem atabalhoados com o fundo negativo na conta bancária. Bem, eu tenho um chefe insuportável, em certos momentos e um trabalho enfadonho. Mas, por ser meu primeiro “trabalho” e por ser meu primeiro chefe, relevo essa sina. Talvez, nem seja uma.
Mas, sina é você ter que conviver eternamente, e quando digo eternamente, é entrar ano e sair ano e ter que ver o 12 de junho passar, sem você, ao menos, poder dar um beijo na pessoa que se ama. Por um infortúnio, desde meus doze anos, convivo com essa realidade amarga. O mundo tem essa facilidade de trazer pessoas e leva-las para outras. Pois bem, o destino de uns é justamente não ter o que levar e o que trazer. Ou ainda, trazer, você amar, querer, desejar e inúmeros fatores impedirem.
Esse ano, minha terça-feira será extremamente normal: nenhum telefonema fora do comum, nenhuma rosa, nem sequer uma pétala e deixar o lençol esquentar meus pés. Que todos os namorados sejam muito felizes. E que as pessoas que têm seus namorados ou suas namoradas, saibam dar valor, pois não há coisa mais agradável que se sentir querido, por alguém que não seja seu/sua amigo/a ou da sua família.
Bem, eu não sei o que é estar junto da pessoa querida no dia 12 de junho e espero que vocês que passarão acompanhados relevem os defeitos bobos, as manias tolas, esqueçam as brigas que não dão em lugar algum e sejam felizes. Aliás, que sejam muito felizes!



Vivi