Armando podia amar Gabriela. E de que lhe importava o resto do mundo, os transeuntes das horas infinitas que passavam por ele e nem lhe agradeciam as gentilezas? Importava-lhe o trabalho de todos os dias. Importava é que podia amar Gabriela e mesmo que não a tivesse por um dia sequer, ele a possuía de noite. Obtinha da imagem turva e neblinada daquela mulher os beijos que só em sonho, ele, Armando podia requerer.
E eram beijos que ele tinha como um carinho sincero. A ternura abençoada dos anjos, que prediziam que ele, Armando, já lutara por toda a vida, e era aquela a sua recompensa: padecer na ilusão dos carinhos doces de Gabriela. Prender a respiração dentro do corpo, deixando o cheiro de Gabriela atravessar todo seu âmago e prostrar, dentro das suas peculiaridades, um entorpecente, que lhe assemelhava a uma felicidade que nunca acabaria. Gabriela: mulher perfeita e adorada. Por mil adorada, mas só por ele cativada.
Vivi
domingo, setembro 23, 2007
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